Havia chapéus stetson e vuvuzelas a tocar, um mar de réplicas de camisolas e pinturas faciais vermelhas e brancas, e até um cavaleiro com uma armadura completa num local.
O hino não oficial de Inglaterra, "It's Coming Home", foi entoado com um gosto bem-humorado. "God Save the King" - o hino nacional - recebeu o tratamento de garganta cheia.
Mas as esperanças de uma primeira vitória no Campeonato do Mundo desde a equipa masculina em 1966 não se concretizaram, mesmo depois da guarda-redes Mary Earps ter defendido uma grande penalidade na segunda parte - e de 13 minutos de descontos -, o que fez aumentar as esperanças de uma reviravolta.
A vitória da Espanha por 1-0 foi recebida com silêncio, lágrimas e também com aplausos desportivos.
"É triste", admitiu a administradora Yvonne Roswell, 43 anos, que estava a assistir com a filha Zara, de 11 anos.
"Mas fica para a próxima", disse à AFP. "Eles estiveram muito bem", acrescentou.
Recorde as incidências da final
Quebra de recordes
O enorme interesse nacional pelas Lionesses é uma medida de quão longe o futebol feminino chegou, especialmente desde que a equipa de Sarina Wiegman venceu o Campeonato Europeu no ano passado.
A final foi transmitida em direto pela BBC e pela sua rival comercial ITV, com um número de espectadores que deverá atingir níveis recorde.
A meio da semana, 11,5 milhões de pessoas assistiram à vitória da Inglaterra sobre a Austrália na meia-final.
A chuva prejudicou as vendas a retalho em julho, com as taxas de juro teimosamente elevadas a manterem a economia britânica sob pressão. Mas os supermercados e os pubs esperam que o jogo dê um impulso muito necessário às vendas de álcool, refrigerantes e comida para churrasco.
Em termos desportivos, a chegada da Inglaterra à final foi vista como uma forma de nivelar o campo de jogo entre homens e mulheres, com as jogadoras a tornarem-se nomes conhecidos e ícones.
Ainda antes do pontapé de saída, o Primeiro-Ministro Rishi Sunak - criticado juntamente com o Presidente da Federação Inglesa de Futebol, o Príncipe William, por não ter assistido à final - afirmou que as Lionesses eram as vencedoras de qualquer forma.
"Para as minhas filhas, e para todas as raparigas deste país, vocês fizeram do futebol algo para elas; fizeram-nas sentir que pertencem ao campo. De certa forma, já trouxeram o futebol para casa", escreveu nas redes sociais.
Após a derrota, William disse à equipa: "O vosso espírito e motivação inspiraram muitas pessoas e abriram caminho para as gerações vindouras."
Mudança para sempre
No Boxpark, perto do Estádio de Wembley, no noroeste de Londres, os membros das pioneiras Lionesses de 1972 assistiram ao jogo com milhares de outros adeptos.
Do outro lado da capital britânica, em Croydon, no sul de Londres, os adeptos afirmaram que as suas congéneres de 2023 foram igualmente pioneiras.
"Elas mudaram o futebol", disse Harry May, 24 anos, que trabalha no sector da tecnologia.
"Elas unem a nação", disse à AFP.
"Estão a dar poder às mulheres", acrescentou Tanni Henry, 19 anos, que assistiu ao jogo com os pais e dois irmãos, saudando a "energia positiva e a diversidade" que a equipa trouxe ao jogo.
Para Bea Thomas, uma professora de 27 anos que vestia a camisola da Inglaterra e tinha um copo de cidra na mão, as mulheres mudaram o jogo.
"As pessoas estão a cantar. É divertido", disse. "As mulheres são mais simpáticas umas com as outras", notou.
O desempenho da equipa no torneio de enorme sucesso deixou um legado positivo, disse a assistente social Tania Bushell, 53 anos.
"Elas representam o futuro do futebol feminino neste país. Durante anos, os homens dominaram o futebol. Isto vai mudar tudo para sempre", acredita.
